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MARIA BRAGA HORTA E SUA TRAJETÓRIA LUMINOSA / João Carlos Taveira

Resolvi dar uma vasculhada no meu baú de escritos, papéis acumulados desde o fim dos anos 1980. E ali, pelo que pude perceber, há material para mais de metro. Tanto escrevi poesia quanto sobre a minha impressão acerca de autores e livros. E grande parte de ambas as atividades permanece inédita, sem nenhum horizonte de vir a lume, pois já estou velho, com o foco voltado para outra direção. E há também o fato de os editores hoje em dia procurarem mais por “carne fresca”, para suas investidas comerciais. Mas está tudo certo, está tudo bem. A vida é assim.

Preciosidade encontrada!

Publicado em 1996, pela Massao Ohno, o livro de poemas de Maria Braga Horta, intitulado “Caminho de Estrelas”, e que era tão esperado até aquele momento... Trata-se de uma reunião de toda a sua produção poética em alentado volume de 254 páginas ilustradas por Ivanir Geraldo Viana, com capa da filha Glória Braga Horta, organizado e prefaciado pelo primogênito Anderson Braga Horta, também poeta e um dos mais representativos de sua geração.

A poesia de Dheyne de Souza não deixa que o olhar envelheça / Salomão Sousa

 Deve ser descartada a sintaxe que ordena o material para que pensamento consiga interpretar numa percepção ligeira, mas exigidas intervenções que venham inserir outras linhagens de compreensão, onde a visibilidade não ocorra em fórmulas e recortes uniformes.  É confortável eleger uma ordem e depois se sujeitar a ela e a ela se habituar, vindo a desaguar na desistência de buscas de novos ângulos de visibilidade. Só as novas visibilidades permitem novos trânsitos e novos textos. 

Dheyne de Souza denuncia: “a ponte cega o verbo”, pois a ponte não estimula outras passagens, sujeitando o passageiro às mesmas paisagens e aos mesmos territórios. Dentro de uma zona de domínio, de conforto, deixa de ser discernível a individuação. Quando todos mantêm o mesmo ritmo, num mesmo propósito, num mesmo discurso, encontramo-nos num enxame, num formigueiro ou numa multidão. O enxame – define Byung-Chul Han – conforma-se com o mesmo resultado.